Esperantina - PI, segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cerca de 12 empregadores do Piauí entram na “lista suja” do trabalho escravo; 141 trabalhadores foram resgatados

Por Clenilton Gomes em 08/04/2026 às 08:27

A atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, incluiu cerca de 12 empregadores do Piauí. Ao todo, 141 trabalhadores foram encontrados em condições irregulares durante ações de fiscalização no estado.

Os casos estão distribuídos em diferentes regiões piauienses, com maior concentração em áreas rurais e em atividades ligadas à agropecuária e à extração mineral. Entre os municípios citados estão Batalha, Eliseu Martins, São João da Serra, Currais, Monte Alegre do Piauí, Regeneração, Gilbués, Piripiri, Amarante, Altos, Cajueiro da Praia e Itainópolis.

Em nível nacional, a atualização acrescentou 169 novos empregadores ao cadastro — um aumento de 6,28% em relação à última divulgação. Desse total, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. Com isso, a lista passa a reunir aproximadamente 613 empregadores em todo o país.

Segundo o Ministério, os novos registros resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão. O cadastro é atualizado semestralmente, nos meses de abril e outubro, após a conclusão de processos administrativos.

No estado, o maior número de trabalhadores identificados foi registrado na zona rural de Itainópolis, com 30 pessoas. Em seguida aparecem a Fazenda Gargaio, em Cajueiro da Praia, com 25 trabalhadores, e a Pedreira Areia & Pedra Velha Monge, em Amarante, com 22.

Também constam na lista a Fazenda Boa Lembrança, em Batalha, com 13 trabalhadores; a zona rural de Gilbués, com outros 13; e o imóvel Carnaubal, no povoado Santa Rosa, em São João da Serra, com 17 trabalhadores.

Outros registros incluem:

  • Pedreira da Serra, em Eliseu Martins (4 trabalhadores);
  • Fazendas Cabeceira do Brejo e Largos, em Currais (2);
  • Fazenda Vereda da Glória, em Monte Alegre do Piauí (5);
  • Pedreira da Cerquinha, em Regeneração (4);
  • Pedreira na localidade Pé do Morro, em Piripiri (4);
  • Pedreira do Assentamento Tesoura, em Altos (2).

A “lista suja” é considerada o principal instrumento de transparência do país no combate ao trabalho análogo à escravidão. O cadastro é utilizado por bancos, empresas e órgãos públicos antes da concessão de crédito, assinatura de contratos e participação em licitações.

Denúncias podem ser feitas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, plataforma criada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. O sistema é exclusivo para o recebimento de informações sobre condições degradantes de trabalho e integra o fluxo nacional de atendimento às vítimas.